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Como
escolher o touro
.........O
sucesso reprodutivo da fazenda começa com a escolha do touro.
Esta seleção dos reprodutores deve ser a mais criteriosa
possível.
Na escolha de um touro simental devemos ter em mente que a raça
é classificada como de grande porte e dupla aptidão
e o sucesso desta raça no cruzamento industrial reside neste
máximo equilíbrio entre produção de
carne e leite.
No Brasil, não temos testes de progênie para conhecer
a capacidade dos touros em transmitir fatores positivos desejados
a seus descendentes. E os testes realizados em países da
Europa e América do Norte não são totalmente
confiáveis para as nossas condições de clima,
manejo e alimentação.
Portanto o fazendeiro deve confiar na sua capacidade de escolha
e seguir sempre alguns critérios para evitar possíveis
decepções e prejuízos.
O primeiro passo para a escolha do touro, começa com a observação
de posterior, para verificação dos testículos,
fator limitante da capacidade de deficiência do animal. Bons
testículos devem ser bem desenvolvidos, entre 40 e 50 centímetros
de circunferência escrotal e uniformes. Está comprovado
que a proporcionalidade está diretamente relacionada a fertilidade.
Testículos de tamanhos muito diferenciados, ocasionarão
problemas de fertilidade em suas filhas.
O saco escrotal deve envolver testículos enxutos, com a pele
mostrando as vascularizações, sem acúmulo de
gordura e elástica. Ao se movimentar, os testículos
podem se deslocar alternadamente. Não serem pendulosos. No
máximo, devem chegar até a linha do jarrete. E apresentarem
firmeza ao tato.
Passando lateralmente ao touro, verificamos outros fatores reprodutivos,
como o umbigo que deve ser de tamanho médio e o prepúcio
não deve ser penduloso. Devemos ter cuidado com touros mochos
que muitas vezes tem prepúcio expostos e muito desenvolvido.
Em pastagens altas estarão sempre sujeitos a ferimentos.
Características secundárias, também são
importantes e demonstram como funcionam seus hormônios. Cabeça
masculina, pescoço apresentando pêlos escuros e mais
grossos do que os que cobrem as demais regiões do corpo,
assim como o seu mugido, demonstram a maturidade do touro.
O segundo ponto de importância que devemos levar em consideração
na escolha de um reprodutor são seus aprumos. Bons aprumos
são fundamentais para que o touro se empenhe na procura da
vaca no cio e também para sustentar seu peso na hora do salto
para a monta.
A posição dos jarretes define se o reprodutor tem
um bom aprumo posterior. A angulação deve ser de 140º
a 150º aproximadamente. Se a angulação for menor,
teremos o que chamamos de aprumo foiçado, em que as patas
se deslocam para baixo do ventre do animal. Quando a angulação
for maior teremos o aprumo chamado de perna de frango.
Esta é a forma mais prejudicial ao bom exercício da
reprodução, pois o reprodutor tem dificuldade e dor
ao saltar para executar a monta. A situação
do animal vai piorando com o aparecimento de bursite. E com o aumento
de peso, a situação agrava-se.
Por este motivo não é recomendado suplementar demasiadamente
o touro, pois ele ganhará peso e problemas, principalmente
nos aprumos posteriores e cascos.
Os cascos também são importantes para facilitar o
deslocamento sem dificuldade, evitar aprumos com cascos de unhas
abertas, pois favorecem a formação de calos.
A quartela também é importante, pois funciona como
amortecedores para locomoção e no saltopara
a monta.
Os aprumos anteriores são importantes para facilitar a andadura
do animal, a procura de alimento e vacas no cio. Quando perfeitos
eles devem descer verticais e paralelos.
Observando o touro, ainda pela lateral, podemos apreciar o conjunto,
a harmonia de suas partes, e como elas se encaixam. Devemos ter
em mente, que o touro que procuramos deve transmitir qualidade econômica,
como precocidade, musculatura e acabamento de carcaça. Se
desejamos estas qualidades, o reprodutor precisa apresenta-las para
poder transmiti-las.
Para isso, precisa ter equilíbrio entre as partes anterior
e posterior do corpo, com muita musculatura e desenvolvimento do
posterior, onde se encontram os cortes mais nobres da carne. Animais
com anteriores maiores que os posteriores, os chamados de leoninos,
demonstram características de aptidão leiteira, ao
invés de carniceira.
Também é importante observar o animal pelo seu frontal.
Olhando o touro por este ângulo, a cabeça deve ser
masculina, proporcional ao tamanho do seu corpo e bem inserida no
pescoço, que por sua vez deve ser forte, bastante musculoso,
de comprimento médio e que se encaixe perfeitamente na paleta.
Ter cuidado com touros com paletas muito abertas, chamados de animais
alados. Este defeito pode ocasionar problemas de parto
de matrizes, principalmente no acasalamento com fêmeas simental.
No cruzamento este problema praticamente não existe, pois
as vacas nelore têm mais facilidade para parirem.
A passagem da paleta para o tórax deve ser suave, bem musculosa,
sem cilhatura. Nos animais com estrangulamento nessa região,
tem os órgãos internos como pulmão e coração
comprimidos na caixa toráxica.
A região costilhar deve ser profunda, com costelas longas
e arqueadas. Igualmente a região da virilha deve ser profunda,
demonstrando grande capacidade digestiva, conseqüentemente
com maior facilidade de adaptação às pastagens
tropicais e fibrosas de nosso Brasil-Central.
A garupa deve ser comprida, levemente inclinada do ílio para
o ísquio e também para a lateral. Apresentando muita
musculatura, da ponta do ísquio até quase o jarrete,
com conformação convexa da coxa.
Na linha superior, devemos escolher touro com coluna firme e que
não tenha saliência nas passagens cervical, lombar
e dorsal. Cuidado com animais que apresentem região dorsal
comprida, pois tendem a selar na fase adulta. No final da região
dorsal, observar como se dá a inserção de cauda.
Ela não deve ser muito saliente.
O touro, agora visto de frente, a cabeça deve ser ampla com
bom espaçamento entre os olhos que devem ser vivos e brilhantes.
As narinas devem ser amplas para que o animal possa ter uma boa
respiração. E o espelho nasal deve ser grande e úmido.
Descendo para o tórax, este deve ser forte, amplo e profundo,
demonstrando grande capacidade respiratória e circulatória.
Os aprumos anteriores devem descer de forma vertical e de paralelas,
com cascos com unhas fechados para evitar calos e tilomas.
Visto novamente por trás e de cima, devemos observar a largura
da região dorso lombar que deve ser ampla, pois demonstra
com as coxas a maioria das carnes nobres do animal.
A região femural deve ser musculosa, larga e profunda com
muita carne até quase o jarrete.
Os aprumos, vistos por trás devem ser verticais e paralelos,
os jarretes devem ser enxutos, com garrões e ligamentos visíveis.
Outro detalhe geral que devemos observar é quanto a pelagem.
Ela deve ser fina, sedosa e brilhante, demonstrando saúde.
E principalmente curta, para facilitar a adaptação
do touro às regiões tropicais. A pelagem além
de dificultar a observação de carrapatos, dificulta
a troca de calor pela pele, pois funciona como isolante térmico
e leva ao aumento da freqüência respiratória.
O touro simental deve ser vivo, esperto, atento, porém manso,
nunca bravo.
Também devemos ter em conta que além dos detalhes
do exterior, da aparência, observada com a nossa sensibilidade
de criadores, precisamos analisar a genealogia dos reprodutores
a serem adquiridos. Devemos buscar touros que venham de linhagens
tradicionais em produzir bons reprodutores. Mas a certeza do acerto
da escolha dos touros, no entanto, será comprovada somente
após a pesagem dos bezerros por eles produzidos. É
a progênie que demonstrará a qualidade dos reprodutores
em serviço na propriedade.
Finalizando, lembramos que o manejo correto dos reprodutores no
rebanho é fator fundamental e importante demais para que
seja uma atividade relegada a plano secundário, dentro do
processo produtivo da fazenda.
Artigo produzido por Jaime Möller - Médico Veterinário,
criador e jurado da raça simental credenciado pela Associação
Brasileira de Criadores da Raça Simental.
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